O caminho estreito
Poucos encontram. Não porque Deus esconde, mas porque o caminho exige que a gente pare de correr.
"Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela." — Mateus 7.13
Há uma sensação comum entre quem começa a caminhar com Jesus: a de que o caminho deveria ser mais fácil. Afinal, se Deus é amor, por que o caminho é estreito?
Essa pergunta me acompanhou por anos. E a resposta que encontrei não veio de um livro de teologia — veio de uma manhã quieta, lendo João devagar, sem pressa.
O que torna o caminho estreito
O caminho estreito não é estreito porque Deus quer excluir. É estreito porque exige presença. Você não passa por ele distraído. Não consegue caminhar nele enquanto olha para os lados, comparando, competindo, acumulando.
João 10 fala de uma porta. E Jesus diz: "Eu sou a porta." Não uma doutrina. Não uma instituição. Ele.
Isso muda tudo.
Tenho pensado muito sobre como nós — boa parte da cristandade brasileira — aprendemos a falar sobre a fé como se fosse um bilhete de loteria espiritual. Faça isso, ganhe aquilo. Diga essa oração, seja próspero.
E no processo, perdemos o caminho. Não a salvação — mas o caminhar.
O que João nos mostra
O Evangelho de João é diferente dos outros três. Mais lento. Mais contemplativo. João não está com pressa de chegar à cruz — ele quer que você entenda quem está sendo crucificado.
Por isso começo sempre por João quando quero voltar ao começo. Não ao começo da minha fé — ao começo de tudo.
No princípio era o Verbo.
Se você está cansado de uma fé que parece vazia, eu te convido a desacelerar. A entrar pelo caminho estreito — não porque ele é difícil, mas porque ele é o único que leva a algum lugar de verdade.
Este texto é um aprofundamento do capítulo 1 do Manifesto Peregrinoz.
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